Maçonaria – A Bula de Bento XIV

Maçonaria Bento XIVApós o último Post, sobre a repercussão da primeira bula, já foi possível perceber que, para que a condenação tivesse um efeito mais forte, seria preciso algo para reforçá-la.

Dessa forma, a Bula contra a Maçonaria não seria vista simplesmente como todas as outras.

Dessa forma, surge uma nova bula, agora emitida pelo Papa Bento XIV – que se tornou outro Papa importante na história da Igreja contra a Maçonaria.

Bento não apresentou novos motivos para tal condenação. O que ele fez foi reforçar a Bula In Iminent, de Clemente. Em 1751, Bento publicava a Bula Providas.

Na prática, como já foi dito, realmente era preciso um reforço para que os Estados não deixassem de lado as diretrizes do Vaticano. Afinal de contas, uma coisa é se opor a Maçonaria quando se acredita que aquele grupo pode acabar complicando a vida do Estado (e que gerou as primeiras condenações da Maçonaria) e outra bem diferente é acatar uma condenação da Igreja que, como já vimos em posts anteriores, não se baseava em nada verdadeiramente sólido, já que nem a Igreja era capaz de definir o que era e o que fazia a franco-maçonaria.

Na Bula de Bento podemos ver:

“…por razões justas e graves , as prudentes leis e sanções dos pontífices romanos, seus antecessores”.

“condenadas e proibidas para sempre certas sociedades, assembleias, reuniões, grupos ou convetículos chamados vulgarmente de franco-maçons, ou de alguma outra maneira, espalhados então em certos países”.

“…o fato de que, nessa espécie de sociedade, se reuniam homens de todas as religiões e seitas. Era evidente que podiam sair dali graves danos à pureza da Religião Católica”.

Em outras palavras, os principais pontos que se justificavam a condenação da Franco-Maçonaria era o seu funcionamento e o seu juramento.

O funcionamento da Ordem, devido ao fato de seu ambiente ser de tolerância, seria sempre uma preocupação para qualquer grupo que fosse capaz de ver ameaça em tudo.

Já o segundo ponto, que era o juramento que se fazia com relação ao “segredo” da Ordem, dava margem para se dizer que os maçons escondiam tudo do qual eles eram acusados (seja lá qual absurdo fosse).

Apesar de tudo, não podemos dizer que Bento foi um Papa ruim. Ele trabalhou muito em prol da Igreja (diferente do seu antecessor – Clemente XII – que nem que quisesse estava em condições de saúde para tal) e, se também publicou uma bula contra a Maçonaria, foi só uma das muitas coisas que ele fez.

As Últimas Décadas do Século XVIII

Depois desse acontecimento a Maçonaria continuou/voltou a ser perseguida e proibida em diversos locais.

A maioria das razões apontadas, a partir disso, eram as mesmas de Clemente e Bento, sendo que muitas das vezes essas Bulas eram citadas diretamente.

Em outras palavras, essas proibições não precisaram nem de novos Decretos ou novas Leis. Tratava-se apenas de colocar em prática o édito publicado em 1745.

Mas claro que nada disso impediu que algumas proibições ainda fossem feitas sob alegações das mais absurdas possíveis.

Em alguns casos, os maçons chegaram a ser condenados juntamente com os “rosacruzes” (que, muitas das vezes, nem tinham relação alguma com grupos rosacruzes).

A nível de curiosidade, tais perseguições chegaram até no México. Apesar de não haver indícios, a não ser o de simples acusações pessoais (de pessoas que nem estavam ligadas ao clero), isso não impediu que supostos maçons fossem presos. Em um dos casos, um maçon foi deportado para Espanha “onde se encarregariam de conduzi-lo a ortodoxia”.

Por isso é importante frisar que, muitas das vezes, o único indício era a acusação feita por um bispo, ou alguém do clero, e isso parecia ser mais do que suficiente, em muitos casos. Isso porquê, em teoria, não havia motivos para questionar a palavra de homens que vivem pela palavra de Deus. No entanto, isso não era verdade antigamente como também não o é hoje em dia.

Mas, a bem da verdade, também existiram casos onde os Maçons foram presos, por um tempo, mas soltos depois, sem ter nenhuma lesão ou sofrer qualquer tipo de pressão (psicológica ou de outra natureza).

Bem, muita coisa aconteceu no século XVIII, mas creio que já foi possível entender os acontecimentos.

No geral, a proposta dessa série era a relação entre a Igreja e a Maçonaria e creio que (por mais que ainda exista centenas de informações a serem apresentadas) foi possível resumir um pouco esse cenário.

Nos próximos posts vamos passar para o século XIX e dar prosseguimento ao final dessa série – que irá se encerrar com o Post “O Católico pode ser Maçom?”

 

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Maçonaria – A Liberdade Religiosa e o Início da Maçonaria
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9 Responses to Maçonaria – A Bula de Bento XIV

  1. Paulo Ricardo says:

    Um conteúdo sempre rico.

  2. Jorge Noel says:

    Muito bom, meu caro!

    Agora que você vai começar a adentrar no século XIX com o tema da relação entre a Maçonaria e a Igreja, é bom frisar ou até mesmo elaborar um artigo sobre a relação do clero brasileiro com a Maçonaria na época imperial do Brasil, donde muitos padres e bispos passaram pela iniciação nos Augustos Mistérios – elencando padres como Regente Feijó, Padre Roma, Cônego Januário Barbosa, Dom Manuel Gonçalves de Andrade, Padre Eutychio da Rocha, entre outros – conseguindo assim, conciliar a carreira eclesiástica com a participação militante na Maçonaria e na propagação de seus ideais, quando a Ordem aqui no Brasil era restritamente o Grande Oriente do Brasil / Grande Oriente Brasílico.

    Abraços!

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Caríssimo,

      Não vou entrar muito nesse ponto nessa série de Posts porquê pretendo fazer, futuramente, uma série de Posts para tratar da relação da Maçonaria com a Igreja aqui no Brasil. Especificamente para falar sobre a “Questão Religiosa”, que foi tão importante para a história de ambas as instituições.

      A propósito, bom te rever por aqui, meu Irmão.

  3. Joel Novaes says:

    O Ir.’. teria disponibilidade para dar palestras em Lojas? Se sim, como podemos entrar em contato? É claro que pagaríamos todos custos envolvidos no processo.

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Depende de alguns fatores, meu Irmão. Vou lhe enviar um e-mail para continuarmos a conversa em outro ambiente.

  4. Victor Hugo says:

    Admin, por favor não pare de escreve, seus posts são sempre excelentes e de grande valia,frequentemente eu releio os antigos para fixar o conteúdo.

    Parabéns

  5. Paulo espindola says:

    Eu sou maçon e gosto do q eu faço

  6. BOLODÓROS says:

    Bem o fato de estar aqui desde cedo lendo tudo já é em suma a pratica das virtudes. Mente vazia é morada do diabo, mesmo que o assunto não seja lá o que mais me atrai, por certo deve ser bom para argumentos pelos quais possa se debater entre alguns ou solitariamente, seja pelo perigo que possa existir sendo um masson, em ser julgado adorador do mau supremo, aliás, ser masson signfica receber apelidinhos graciosos, eu tenho um filho do capeta, mas é porque eu resolvi dizer no meu trabalho que adoro a Lúcifér, não o da biblia. Bem vendo o passado, fica claro que ser masson significa ser discipulo do mau para a maioria das pessoas. Menos mau ninguém vai te matar porque é masson nos dias de hoje. Todo crente não tem fama de ter sido no passado um drogado, ladrão e coisas assim? E daí, maomé casou com uma garotinha de nove anos. Ué, quem se importa com o que outros falam? Joseph smith era masson e instituiu a igreja dos santos dos ultimos dias e a poligamia na epoca. Sinceramente como já disse olha o quanto de coisa que passa pela minha cabeça lendo o blog. Melhor que não fazer merda nenhuma, ou fazer muita merda. AUAUAUAU

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