Maçonaria – A Rosacruz no Surgimento da Maçonaria Moderna

Seguindo adiante, após falarmos sobre alguns dos “Mistérios Antigos” e sobre a “Ideologia dos Mistérios” vamos entrar no ponto onde começamos a falar da Maçonaria Moderna.

Antes de mais nada, é importante recomendar que, caso você não tenha lido os Posts anteriores, tire um tempinho para ler:

Além desses posts, também recomendo que você leia esses outros 4 posts, dos quais 3 fazem parte da Série “Maçonaria, Inquisição e a Igreja Católica” e 1 faz parte da série ”Os Caminhos Dentro da Maçonaria e do Satanismo”.

Estando claro essas questões, vamos falar efetivamente sobre como se deu a formação da Maçonaria Moderna.

Os Manifestos

Para falarmos efetivamente da formação da Maçonaria Moderna, temos antes que falar de um acontecimento anterior e que será importante para entendermos esse processo!

Trata-se da divulgação de um manifesto chamado “fama fraternitatis rosae crucis”, que apareceu na cidade alemã de kassel, no século XVII, em 1614.

Antes de falarmos sobre do que se tratava o manifesto, é importante explicar que essa é uma época pós-Renascimento e pós-Humanismo, que foi a época onde o misticismo começou a ganhar força na Europa.

O mundo havia, há pouco tempo, começado a se libertar das pressões da Igreja Católica, que já começava a perder força com o Protestantismo, que também havia surgido no século anterior.

Nos post “Cabala no Renascimento” e “Magia e Filosofia do Hermetismo”, você pode ler um pouco sobre isso, quando comentei sobre o fato do Hermetismo, a Cabala Hermética, a Cabala Cristã e etc, terem surgido na mesma época do Protestantismo.

De certa forma, as ideias e os ideais começaram a se fortalecer no século anterior e começaram a tomar forma no século seguinte.

Você, provavelmente, já ouviu falar da Ordem Rosacruz, pois ela é quase tão famosa quanto a Maçonaria. Entretanto, a Rosacruz tem algumas vertentes, sendo a AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosacruz) a mais conhecida no Brasil.

Sua linha de pensamento é espiritualista, tendo preceitos espiritualistas que são aceitos abertamente, diferente da Maçonaria, onde seus Rituais podem ser entendidos de várias formas, apresentando mais de uma forma de entendimento.

Antigamente (mas deve ter hoje em dia ainda), havia um pessoal meio perdido que dizia que a Rosacruz era a parte espiritual da Maçonaria, devido ao fato de encontrar algumas respostas espirituais, na Rosacruz, que poderiam ser aplicadas a Maçonaria.

Porém, não há qualquer ligação entre essas Ordens Rosacruzes e a Maçonaria (excetuando o caso da “Societas Rosicruciana in Anglia”, que é um caso específico e diferente dos demais).

Além do misticismo Rosacruz, há uma outra coisa em comum na maioria das vertentes, que é a Tradição Rosacruz, que contam supostas histórias da Ordem Rosacruz em um passado longínquo.

Essa é uma questão bem parecida com as histórias da Tradição Maçônica. Ou seja, se você entender que isso se trata apenas de uma “tradição”, não há problema em afirmar que a Tradição Rosacruz é milenar. Entretanto, se você acredita mesmo que já existia um Movimento Rosacruz no Antigo Egito, recomendo fortemente que você leia todos Posts desse blog (e, se continuar achando isso, paciência – eu tentei!).

Leia o Post Maçonaria Milenar, onde essa questão está melhor explicada.

Mas, é importante reforçar sempre que, historicamente falando, não há registro de qualquer movimento anterior a essa data, de qualquer natureza, que possa ser atribuído a Ordem Rosacruz.

O que conhecemos por Rosacruz hoje em dia, começou a ter início em 1614, com o “Fama Fraternitatis” – e que teve continuação em 1615 (com o “Confessio Fraternitatis”) e em 1616 (com “As Bodas Alquímicas de Christian Rosenkreuz”).

O Fama, em si, falava sobre a tradição rosacruz e sobre a Ordem e os Irmãos invisíveis que estavam se apresentando ao mundo e convocando os buscadores e etc etc etc.

Todavia, a história por trás disso é bem polêmica, afinal de contas, além de não haver registros da existência de movimentos rosacruzes anteriores, também não havia nada naquela época que nos fizesse acreditar que havia, de fato, uma Ordem Rosacruz existente naquele tempo.

Os primeiros movimentos rosacrucianos só começaram a aparecer após os manifestos. E, os nomes citados no manifesto, como sendo membros dessa Ordem Invisível, não parecem estar ligados a qualquer movimentos secretos e/ou iniciáticos.

Sabe-se que o último dos manifestos foi escrito por Johann Valentin Andreae e, apesar de não se poder afirmar taxativamente que ele foi o escritor dos dois primeiros manifestos, parece que ele, no mínimo, esteve envolvido no processo.

Existem alguns motivos debatidos sobre as intenções dos manifestos terem sido escritos, porém, eles vão ficar para o próximo post, que é quando fará sentido o motivo pelo qual eles estão sendo falando aqui.

Mas não julguem esse post como se eu estivesse aqui me desfazendo da importância dos Manifestos Rosacruz. Na verdade, vocês perceberão que é exatamente o contrário.

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2 Responses to Maçonaria – A Rosacruz no Surgimento da Maçonaria Moderna

  1. L. Carvalho says:

    Gosto muito da forma que você explica as coisas aliás tem um grande talento para escrever,mas enfim comecei a pesquisar mais sobre francomçonaria, rosa cruzes e satanismo, quando li os livros de Dan Brown, achei muito bem explicado e quis saber mais a respeito, encontrei vários outros ”vestigios” em livros de Bernard Cornwell, e me encaixei com o modo de pensar da Ordem, principalmente sobre G.A.D.U, gostaria de saber como faço para ser um maçom, sendo que minha família não é por si maçônica isso tem algo haver? e ainda se existe uma idade minima para seguir e estudar com a Ordem.

    Grato desde já, parabéns pelo site.

  2. Dimitri Marques says:

    Muito bom, mano! Prossiga.

    Um erro muito comum é confundir movimento rosacruz (inaugurado com os manifestos) e ordem rosacruz (a primeira foi a Societas Rosicruciana, fundado por maçons e para maçons). Todas as demais ordens rosacruzes são dissidências e tiveram a Societas como origem primária.

    Em relação à história, discute-se muito sobre a antiguidade de ambas, mas por resgistros está mais do que clara a existência anterior da Maçonaria Operariva e, mesmo em relação à Maçonaria Especilativa e de Aceitos, há controvérsias quanto a sua organização primitiva ainda no final do século XVI, na Escócia e no início do século XVII na Alemanha (esta concomitante ao início do Movimento Rosacruz).

    Outra questão: atestando a antiguidade dos Rosacruzes, muitos fazem questão de anunciar os Hermetistas, os Cabalistas e os Alquimiatas como “Rosacruzes”, sendo que esse termo também foi fundado pelos seus manifesfos supra-citados.

    Tem gente que afirma que os Rosacruzes foram uns dos fundadores da franco-maçonaria e usam o capítulo Rosacruz do REAA para respaldar essa hipótese, o que me parece totalmemte sem sentido.

    Outra coisa: como explicar a presença do compasso, entre outros símbolos maçônicos com respectivos significados idênticos na AMORC, senão como sendo elementos herdados de tradições maçônicas operativas notoriamente mais antigas?

    Enfim, eis minha pequena contribuição ao debate.

    TFA

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