Maçonaria e o Simbolismo Universal

Hoje nós iremos tratar da Simbologia Universal dos milhares de Símbolos que podem ser encontrados nos diversos Ritos e Rituais da Ordem.

Um símbolo pode ser estudado de várias maneiras, por mais que muitos Maçons ainda insistam que só existe uma forma de fazê-lo – e que, coincidentemente, está sempre ligado a sua forma de enxergar as coisas.

Os Símbolos podem ser entendidos de forma Litúrgica, Antropológica, Mística e etc. No entanto, também não é incomum que cada um defenda sua forma de encarar os símbolos como sendo a “Verdadeira” forma de se entendê-los.

O Ocultista irá dizer que a “Verdadeira Maçonaria” é aquela compreendida pelos preceitos espiritualistas e que é assim porque foi idealizado pelos “Mestres Superiores”.

Aquele que tende a uma visão “antropológica” irá defender que a Maçonaria, com sua influência do movimento Humanista, quer apenas fazer dos Símbolos uma referência do Homem, afirmando que é o que realmente importa, a nível de conhecimento.

Já o Litúrgico irá buscar a causa do porque o Símbolo (ou “procedimento ritualístico”) foi parar na Ordem – e seu conhecimento será mais profundo nas causas e movimentos históricos, que tiveram consequências dentro da Ordem, do que, nos Símbolos em si.

Mas ainda fica a pergunta: Deve-se, ou não, limitar a interpretação de um Símbolo apenas à forma como ele foi inserido na Ordem?

O Conhecimento

Essa é uma opinião particular, mas a verdade é que ninguém poderá dizer que não se pode interpretar os Símbolos da Ordem, afinal, um Símbolo não perde a sua história nem a significação que ele teve, ao longo dos tempos.

Vejamos a seguinte situação:

Imagine que um determinado Símbolo tenha sido retirado de uma Ordem da Idade Média, como a Ordem dos Cavaleiros Templários (e realmente isso acontece em muitos graus). Digamos que o membro resolva apresentar a história do Símbolo, insistindo que este vem do Antigo Egito – e dê a respectiva explicação acerca do mesmo. E, digamos também, que apareça um outro Irmão para dizer que o Símbolo não tem relação com o Antigo Egito, porque o Símbolo está ali pela referência aos Cavaleiros Templários.

Ele está certo ou não?

Sim, ele está certo, mas isso não inviabiliza a história do Símbolo. Tentar impedir isso acaba criando barreiras para o conhecimento dos demais Irmãos que não se interessam muito pela Literatura Maçonica e acabam criando a ideia de que só existe uma única forma de entender todos esses Símbolos.

Claro que é importante sabermos qual é a referência direta dos Símbolos. Os “Graus Simbólicos”, por exemplo, tem quase todas as suas referências ligadas aos Maçons Operativos e o fato desses Símbolos serem mais referenciados com outros significados, do que o significado Operativo, faz com que muitos acabem não conhecendo a história de como aquele símbolo foi parar na Ordem – e o significado “Operativo” acaba ficando prejudicado.

Todavia, a solução para isso não é impedir que todo o conhecimento, acerca do Símbolo, seja anulado. A Solução é propagar a importância de se conhecer a origem do símbolo, na Ordem. Dessa forma, haverá mais conhecimento para todos.

Impedir que isso aconteça, na minha opinião, não acrescenta nada a ninguém.

(Voltando ao exemplo lá de cima) Não pode-se dizer apenas que o Símbolo “X” é um Símbolo Templário e dizer que aquele símbolo não tem origem no Egito Antigo – porque, além do fato de ter existido no Egito (no caso de ter existido mesmo, obviamente), existe a possibilidade dos Cavaleiros Templários terem retirado esse Símbolo de outro grupo, ou civilização, e estes podem sim tê-lo retirado do Egito Antigo – e, se isso não for pontuado, todos os Irmãos perdem a oportunidade de ter esse grande aprendizado.

Eu entendo que aqueles que propagam uma defesa estritamente pragmática estão apenas defendendo as origens diretas da Ordem, que muitos ignoram, como se a Maçonaria só tivesse importância se tudo que tem nela tivesse tido origem nas “Antigas Escolas de Mistério”.

Problemas de Critério

Isso tudo faz com que não seja incomum a falta de critérios em uma avaliação simbólica.

[Vamos ilustrar a situação]

O Irmão vai apresentar um trabalho e tem dificuldade em conceituar e pontuar o símbolo. Ele começa:

“E esse símbolo tem ligação com o número 3986457 que vem da multiplicação de uma equação universal ashtariana que, dividida com o 9 da iniciação e levando em conta o seu formato divino, representa o Ser que precisa evoluir segundo os princípios milenares da….”

(Sim, eu exagerei propositalmente no exemplo…)

Daí você termina de ouvir o estudo sem saber porque aquele Símbolo está inserido na Ordem e nem a Origem dele em si – e essas são duas informações essenciais.

Primeiro, obviamente, você precisa saber o que ele representa dentro do contexto. Se for uma Virtude, ótimo, você já sabe para que serve. Mas também é importante saber em que contexto ele foi parar ali e, indo mais além, a história dele.

Não fosse essa falta de critérios, a Ordem teria membros mais preparados e que também poderiam aprender com outras diversas formas de conhecimento distintas. Afinal, se a explicação de um Símbolo acabar citando a Cabala Judaica, por exemplo, poderiamos (e porque não?) aproveitar como incentivo para que os Irmãos viessem a estudar e conhecer um pouco da Cabala em um outro momento mais apropriado.

É por esse prisma que o universo de conhecimentos da Ordem pode ser tão amplo. É pelo fato de termos Símbolos diversos e distintos – e Símbolos permitem quase tudo isso.

Não vamos negar o conhecimento, tão importante para o nosso aprimoramento. Que mal pode haver na erudição de um membro acerca da essência profunda dos Símbolos que compõe a sua Ritualística??

Volto a dizer, o problema é PONTUAR tudo isso da forma mais correta possível e não anular os conhecimentos adicionais. Pense nisso antes de criticar um Irmão dizendo que a informação dele está errada.

Defenda que esse conhecimento deve ser pontuado e justificado. Critique apenas se REALMENTE a referência estiver errada. Afinal, se ele diz que o Símbolo era utilizado pelos Pitagóricos, mas isso não é verdade, então sim, alguém precisa atentar-se para isso e corrigir.

Conhecimento Simbólico Através dos Ritos

Da mesma forma, pode-se aplicar esses preceitos ao Simbolismo de vários outros Ritos, como aqueles que não são aplicados no Brasil. E não estou dizendo para que eles sejam realizados. Estou dizendo apenas para que eles sejam conhecidos e estudados, na medida do possível.

Já existiram Ritos na Ordem de questões que quase ninguém imagina. Por exemplo, existe um Rito que fala sobre Quetzalcoalt, que foi um dos Deuses da Mitologia Maia.

Perceba que, se esse Rito fosse levado para a Loja, com a finalidade de Estudo, o Maçon conseguiria aprender sobre “quem foram os Maias”, aproveitar pra falar da sua Cultura, do seu Estilo de Vida, suas Crenças e Práticas Religiosas, enfim.

Você percebe o quanto se pode aprender com tudo isso? É válido alguém tentar impedir que se aprenda tudo isso, sobre a ótica de que “esse Rito apenas foi feito porque foram descoberto as primeiras evidências sobre a existência da civilização Maia, na Europa, naquela época?”

Não, não é. O conhecimento é importante e melhor ainda quando todos podem aprender com isso dentro de uma Ordem como a Maçonaria.

Bem, imagino que essa questão já tenha ficado clara.

Da mesma forma que a “Filosofia da Virtude” é a Essência da Ordem, o “Simbolismo Universal” é a Ferramenta de Conhecimento, que nos permite explorar novas ideias – que irão nos ajudar em nosso árduo trabalho que é polir a nossa “pedra bruta”.

 

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20 Responses to Maçonaria e o Simbolismo Universal

  1. Raphael M. says:

    Boa Noite Admin,

    Até hoje nunca ninguém pensou em fazer uma “bíblia maçônica” para apresentar o significado de todos os símbolos de todos os ritos?????

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Uma Bíblia, propriamente dita, não. No entanto, existem várias Enciclopédias Maçonicas (que abrangem boa parte do universo da Ordem).

      Algumas são excelentes.

  2. Marcos Filho says:

    Mais um excelente texto, parabéns.

  3. Leonardo R. A. says:

    Caríssimo amigo, volto a dizer que com seu conhecimento, você deveria abrir um curso.

    Obs.: Para variar, desta vez fiz um comentário de apenas 2 linhas, Risos :) .

  4. Igor Boscorelli says:

    Meu Irmão, muito bom e valido o conhecimento nesse texto !

    Igor Boscorelli”

  5. Gabriel says:

    Boa tarde Admin!

    Estou lendo muito sobre Satanismo principalmente atraves de você e do Adriano Camargo com a Revolução Luciferiana.

    Você recomendaria mais livros chaves para se entender melhor a filosofia satanista. E se existe algo que eu deva correr bem longe nessa vertente?

    Vou ler LaVey e tudo que for necessario para me preparar. Não quero ainda me aprofundar em rituais antes de saber onde estou pisando.

    Se for possivel, agradeço profundamente!

    Mas se quiser mandar um “SE VIRA!” já vale também kkkkkk

    Abraços!

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Sobre o Satanismo em si, recomendo os 5 livros de LaVey e, além deles, recomendo os livros que foram citados nos Posts sobre Satanismo, aqui no Blog.

      Por exemplo, o livro sobre a “Virtude do Egoísmo”, de Ayn Rand, as obras de Nietzsche, o Liber Al Vel Legis, de Crowley, o “Magia Enochiana”, de Donald Tyson…. Enfim…

  6. Patrícia says:

    Eu sempre achei que todas as ordens tivessem o simbolismo como algum tipo de padrão. Estou enganada? Depois de ler o post acho que eu tinha uma visão “maçonica” das outras ordens.

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      De fato, era uma “visão maçonica” das outras ordens. A Maçonaria é a que mais tem foco no Simbolismo – sendo que existem várias outras ordens que sequer o usam como recurso.

  7. natyR says:

    seria bem interessante
    sempre fico me perguntanto
    sobre dado simbolo
    o porque dessa escolha
    gostei da tua edição
    um dicionario de maçons
    Mais cultura
    e as pessoas se interessariam mais
    em aprender
    e entender o porquê
    bjus

  8. Renan'' says:

    Excelente pontuação Ir.

    Comigo é meio automático. Quando estou estudando o significado do símbolo dentro do contexto, automaticamente começo a pesquisar mais sobre sua origem.
    E essa pesquisa sempre me leva a diversos caminhos. No meio do estudo, eu paro e penso: – Qual era meu ponto de estudo inicial mesmo??
    Já aconteceu com você?

  9. Clarindo Eximo Alfaix Melo says:

    kkk o conhecimento é fantástico… “o ponto”, seja ele qual for, sempre te leva a outro… mais é importante manter o foco…
    Mais então; a simbologia é mais usada na maçonaria como meios de conhecer culturas passadas?
    E na maçonaria existem vários membros de diferente crenças, inclusive satanista,
    ou não?

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Sim, existem vários membros de diferentes crenças. Também não há nada que impeça um Satanista de ser Maçon.

      Com relação aos Símbolos, sua finalidade, na maioria das vezes, tem relação com a Filosofia de Virtude da Ordem. Porém, como muitos símbolos ultrapassam séculos, é possível estudá-los como forma de conhecer diversas outras culturas.

  10. Clarindo Eximo Alfaix Melo says:

    se não for pedir muito, se tu tiver msn me add lá… pq eu tenho cede de conhecimento… e o que me parece, tu tem muito a ensinar… (link removido)

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Caríssimo,

      Infelizmente, me falta muito tempo na vida diária para poder utilizar o MSN.

  11. Franco-Atirador says:

    Você comentou sobre a possibilidade de um símbolo ser usado em várias culturas.

    Mas há a possibilidade do símbolo, conforme é passado para outra cultura (ou não), adquirir mais de um significado (ou tê-los naturalmente, estrita, ou aplicando a diferentes contextos)?

    Você recomendaria, ou já leu esse livro?
    http://www.submarino.com.br/produto/5952429/livros/esoterismo/ocultismo/livro-revolucao-luciferiana-a

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Pode acontecer sim, meu caro…

      Na verdade, acontece com muita frequência, mas a grande questão é que esses “outros significados” costumam estar sempre ligados a sua representação original e primordial.

      Acaba sendo apenas uma das possíveis manifestações daquilo que representa aquele símbolo.

      Com relação à “Revolução Luciferiana”, recomendo (e muito) que você o leia. Não só ele como as demais obras (Sistemagia e Cabala Draconiana) do grande Adriano Camargo.

    • Maria says:

      Essa d ze da cachoeira e hilario mesmo vcs sao todos uns escarnecedores do terceiro milenio

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