Maçonaria e Psicologia

Maçonaria e Alquimia

Essa semana estamos chegando quase ao fim da nossa segunda série de Posts do Blog “Maçonaria e Satanismo”.

O próximo Post sobre Maçonaria será apenas para tratar do que já vimos até aqui. Será um Post para sintetizar os “pontos-chave” e o caminho que percorremos nessa série.

Hoje vamos falar de “Maçonaria e Psicologia”, para tratar dos pontos em que cabe uma reflexão acerca das questões psicológicas.

Nos últimos dois Posts eu tratei da “Filosofia da Virtude” e do “Simbolismo Universal”, sendo a Virtude o alicerce mais importante da Ordem e, o Simbolismo, o instrumento de aprendizagem.

Apesar das citações claras, nos Rituais, acerca das Virtudes (e que compõe a Filosofia da Ordem) sem o Simbolismo isso tudo não aconteceria da forma que acontece. Lembrando que, quando falo de Simbolismo, não me refiro apenas a interpretação dos Símbolos, mas também as interpretações ritualísticas, afinal, quando algo (ou alguém) é “representado” em uma cerimônia ritualística, isso também é um ato simbólico.

Mas porque essa forma é a mais adequada?

Bem, os leitores do Blog, já acostumados com os Posts que temos por aqui, poderia responder que a Ritualística é o melhor método devido a diversas questões metafísicas, entretanto, se faz necessário apresentar aqui uma outra abordagem, menos ocultista e mais pragmática.

Psicologia na Ritualística

Que outro propósito teria a cerimônia ritualística se não cogitarmos quaisquer influências metafísicas?

É bem simples. Teríamos a Ritualística como “recurso didático”.

Muitas vezes a representação de uma “Lição de Virtude” é bem mais absorvida pela pessoa, do que se fosse transmitida através de um livro, ou texto, que estivesse explicando a questão.

E isso é bem mais evidente quando estamos lidando com Lições e não com uma Virtude em si. É bem mais fácil tentar explicar uma Virtude como a Pureza do que, por exemplo, descrever a Lição de que nem sempre as intenções sinceras e verdadeiras trazem um bem real para aquele que a recebe.

Dessa forma, também é mais fácil transmitir a informação, tornando-a mais forte e intensa em sua vida, afinal, ela não foi apenas entendida, ela foi personificada. Sendo que, muitas vezes, você também se sente participando daquilo, o que, muito provavelmente, fará com que você lembre de vários desses momentos cerimoniais quando você estiver prestes a ceder a algum vício (como se você já tivesse passado por aquilo em outra cirscunstancia de sua vida).

Palavras podem ser boas e explicativas mas a intensidade de poder contemplar a questão é bem mais intensa e tem muito mais chances de surgir em sua mente – no momento do “erro” – do que se fossem apenas palavras.

Representação nos Símbolos

No Simbolismo isso também é muito verdadeiro.

Quando se atribui um Conceito a um símbolo, aquele símbolo passa a ser esse Conceito e ele será suficiente para que todo um universo seja representado por ele.

O “Esquadro e o Compasso”, dessa forma, poderá ser uma ferramenta muito “real” quando, em momento de reflexão, esse Símbolo tomar a sua mente.

A Régua, o Prumo, o Nível, o Malho, o Cinzel. Cada um desses símbolos também é merecedor de uma enorme reflexão e pode lhe dar muitos recursos para trilhar o caminho do “aperfeiçoamento através da virtude”, que é o caminho que todo o Maçon tem de percorrer.

Por mais que a minha preferência de Literatura Maçonica seja aquela mais voltada ao misticismo-ocultismo, ainda fico encantado com o que o estudo do Simbolismo Maçônico, no que tange ao contexto de Virtudes, é capaz de fazer. E, quando isso acontecer, essas ferramentas serão essenciais no polimento da Pedra Bruta.

Permita que esses Símbolos se tornem as ferramentas que você necessita para a sua jornada de aperfeiçoamento.

Aperfeiçoando as Lições Cerimoniais

Há também uma outra questão que não pode, e não deve, ser ignorada.

Vários são os pontos abordados em uma cerimônia ritualística, mas é comum que tenhamos um “foco”, de algo que nos chame mais atenção. No entanto, e com frequência, mudamos nosso foco quando assistimos uma mesma cerimônia novamente.

Parece que o aprendizado é infinito. As vezes, quando você está assistindo uma cerimônia conhecida, 2 ou 3 anos após tê-la visto pela primeira vez, surgem novas perspectivas. Mas não que essa venha a substituir a antiga. Muito pelo contrário, ela vem complementar (na sua concepção) algo que sempre esteve ali.

Isso se dá porque situações diferentes da sua vida vão, naturalmente, mudar o seu foco e sua forma de enxergar as coisas, mesmo que você não consiga perceber.

Durante a sua vida novas experiências e sensações vão lhe ajudar a moldar sua percepção e isso irá impactar diretamente na questão do Simbolismo.

Não é muito diferente do que assistir um filme quando criança e, depois de muitos anos (quando você assiste novamente o filme), você enxerga coisas que jamais teria condições de enxergar quando criança.

Por fim,  há também a questão de tudo aquilo que o seu subconsciente é capaz de absorver e transformar em ações, sem que você sequer se dê conta disso.

Quantas terão sido as situações que você considerou “certo ou errado”, sem nunca ter feito uma reflexão profunda sobre aquilo, mas que estava muito claro em sua mente, devido a uma lição que foi aprendida de forma inconsciente?

Não sabemos essa resposta, mas passe a rever as situações de escolha e julgamento que você tem feito em sua vida para avaliar o quanto delas se deu através de uma lição que não foi aprendida de forma “acadêmica”.

A Chave para a Alquimia pode não estar na estrutura metafísica do Universo. Ela pode estar nas questões mais profundas do ser.

“Visita Interiorem Terrae Rectificandoque Invenies Occultum Lapidem”.

 

Veja Também

Maçonaria Milenar?
Maçonaria Social
Maçonaria Filosófica
Maçonaria Espiritual
Maçonaria e a Filosofia da Virtude
Maçonaria e o Simbolismo Universal
Maçonaria e Psicologia
Maçonaria – “Você Entendeu?”
This entry was posted in Maçonaria. Bookmark the permalink.

10 Responses to Maçonaria e Psicologia

  1. Caibalion says:

    Eu me aventuro a dizer que a psicologia na ritualística e na simbologia é muito mais profunda. Aqui Jung terá uma importância fundamental, porque a concepção freudiana da mente humana é por demais empirista. Para Freud, nascemos apenas com o instinto básico de prazer e, quiça, o de morte. O inconsciente, que é o que molda a nossa consciência, será, portanto, composto pelo conteúdo reprimido no conflito entre instintos e sociedade. Portanto, em Freud, o conteúdo de nosso inconsciente é formado por nossa vivência. Jung, por outro lado, nos despertou para uma realidade muito maior, qual seja, a de que o inconsciente é muito, muito mais do que o conteúdo reprimido de Freud. Jung vai propor um inconsciente coletivo povoado por estruturas que foram formadas ao longo de nossa evolução e não apenas de nossa história individual. Portanto, nosso inconsciente é povoado por conteúdo herdado, já presente desde o nosso nascimento e que, ao lado do inconsciente reprimido, vão modelar a nossa consciência.
    O que isso tem a ver com os rituais? As religiões, os mitos, a simbologia ocultista e seus rituais nada mais são do que representações destes arquétipos. Voce pode achar que está assistindo ou participando apenas de uma representação, quase teatral, quando em um ritual, mas ao vivenciar esta representação, você está reativando arquétipos Não se participa jamais de um ritual “impunemente”. O ritual evoca a atuação destes arquétipos em sua mente, sem que vc saiba ou possa perceber conscientemente esta atuação. E essa reenergização arquetípica põe em movimento o seu inconsciente em direção à sua consciência, sem que vc sequer saiba fazer relação consciente com o ritual.
    O mesmo se aplica aos símbolos.
    Símbolos e rituais, portanto, são linguagens voltadas mais para o seu inconsciente do que para sua consciência.
    O conteúdo evocado não será necessariamente o mesmo para cada um, mas certamente estará relacionado ao mesmo conjunto de arquétipos, cada um recebendo de acordo com a sua história individual.
    O que vc vai fazer com este conteúdo, se vai aproveitar o ensejo para lapidar a sua pedra separando o joio do trigo , ou se vai procurar esquecer e voltar à comodidade da sua “normalidade” e adequação social, só cabe a vc.
    Por isso, toda e qualquer Ordem divide-se invariavelmente em duas: uma visível e outra invisível. Uma externa e outra interna. Os acomodados permanecerão sempre na Ordem externa e sequer terão consciência que as verdadeiras portas do templo lhes foram fechadas a muito tempo. São os “iluminados por decurso de prazo”. Outros avançam na sua própria alquimia. Cabe a cada um escolher o seu caminho.

    • Franco-Atirador says:

      Muito bom, Caibalion!

      Na minha mente, o conceito de Egrégora é semelhante ao de inconsciente coletivo. Seriam semelhantes, relacionados, ou nada têm a ver um com o outro?

      Sempre me indaguei do porque pensarmos oque pensamos – no sentido de como os pensamentos surgem em nossas mentes. Com esses conhecimentos, é possível uma visualização de uma antena em nossas cabeças, antena que podemos forjar constantemente, ajustando as frequências que queremos captar nesse mar pairante de idéias.

      Recomendo fortemente o vídeo abaixo, que espero ansiosamente pela parte 02 traduzida:

      http://www.youtube.com/watch?v=OzGI1Fo2cqA1

  2. Patrícia says:

    A arte sempre foi o melhor caminho de aprendizado _ :)

  3. Carlos says:

    A cada semana uma nova vertente (se é que pode se dizer assim) da Maçonaria. Muita qualidade na didática também. Meus parabéns (novamente).

  4. raph says:

    Nossa maior potencialidade, enquanto espécie, e enquanto espíritos no estágio desta espécie, é interpretar símbolos. Foi daí que tudo começou: a arte rupestre, as religiões primais, o xamanismo, e etc.

  5. Joan says:

    O ponto que você ressaltou sobre observar a mesma cerimônia e o eterno contato com a ordem, faz do aprendizado uma coisa incrível e incansável. Presencio o mesmo sentimento na minha vida profana e de iniciado. Por isso acho que quando alguém fala: “ah, eu já sei isso” incorre em erro, pois perde a oportunidade de ter a perspectiva já com mais sabedoria. Gostei!

  6. Renan says:

    Então também é possível enxergar a Alquimia como sendo apenas uma ferramenta psicológica cuja mudança não tem nenhuma relação com a espiritualidade?

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Caríssimo,

      Sim, é possível. Na verdade, a maioria das respostas, quando não se acredita em um plano que vá “além do físico” , é exatamente de que se tratam de efeitos psicológicos.

  7. SERGIO.M says:

    Penso que na catarse psicológica está o segredo do atingimento dos objetivos cerimoniais, sejam eles maçonicos ou não…

    até mesmo diversos work shops, integrações de RH e daí por diante exploram através da emoção estimulada através de teatros, fotos, imagens, logos, etc, que são “avatares” da psique, conseguem conversar em um nível de entendimento mais profundo e gerar a energia necessária para a obtenção dos desejos, sendo coletivo aidna melhor.

  8. SERGIO.M says:

    A catarse fala na linguagem apropriada com o Self, o id, a alma, o dragão… e este que é o “verdadeiro eu” faz comandar ao cérebro as emoções, hormônios e etc.. para gerar a consecução dos objetivos dos magistas, sejam eles satanismas, macumenbeiros, psicólogos, pedagogos ou até (respeitosamente) maçons.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>