Maçonaria – Ideologia dos Mistérios (e de todo o resto)

Antes de começarmos a falar sobre a “transição” da Maçonaria Operativa e a Maçonaria Especulativa (que ficará para o próximo Post da categoria Maçonaria) vamos falar um ponto importante.

Vamos falar dos ideais da Maçonaria que são (e foram) essenciais para que a Maçonaria fosse o berço de diversos movimentos sociais, intelectuais, políticos, espirituais e etc.

Além de essenciais, falar de questões existenciais nesse blog sempre gera muitos compartilhamentos porque, no fim das contas, todo mundo consegue se ver inserido dentro de um contexto (o que nem sempre acontece nos posts desse blog).

Como já foi dito anteriormente, sempre existiu muita mitologia acerca da Maçonaria, como no caso da própria Constituição de Anderson, que retratava uma Maçonaria Milenar e baseada em uma série de questões mitológicas acerca da arte (e dos mistérios) da Construção.

Mas a questão aqui é, como isso influenciou a Maçonaria que nós conhecemos hoje – que se iniciou com a Maçonaria Especulativa?

Por que, nessa mesma Maçonaria, iremos encontrar diversas questões (dentro dos diversos Ritos que já foram criados) que parecem entrar em contradições?

Talvez, para aquele que já acompanha os posts do site, esteja claro a existência de um alicerce sobre o qual toda a Maçonaria é edificada, que é a “Filosofia da Virtude”.

Tal filosofia é o que justifica a existência da Ordem e, seja lá qual foi o melhor caminho que você encontrou dentro da Maçonaria, é impossível fugir do fato de que a Maçonaria é uma escola de Virtudes – e nenhum ritual, de nenhum Rito, vai existir sem passar por essas questões.

Entretanto, falando desse jeito, fica parecendo que “cada um escolhe seu caminho e que seja feliz”. No entanto, é importante se perguntar: “Por que tudo isso existe dentro da ordem?” ou “Como tudo isso foi parar aí dentro”?

Os Princípios

A verdade é que a Maçonaria, desde os seus registros mais antigos (os históricos, não os mitológicos) guarda uma característica muito curiosa que trata “”.

Se você fosse dividir o mundo em grandes áreas do conhecimento, como você o dividiria? Há muitas formas de fazer isso (inúmeras…), mas posso apostar que, se você está aqui, nesse blog, provavelmente você já fez essa mesma divisão na sua cabeça, certo?

Agora, responda para si: “Como foi a sua divisão?”

Você é daqueles que divide o mundo entre as pessoas religiosas e as pessoas que acreditam na ciência? Ou você prefere dividir o mundo entre aqueles que são de direita e aqueles que são de esquerda (aproveitando as discussões políticas que, hoje em dia, estão em qualquer mesa de bar)?

Você também pode dividir o mundo entre ricos e pobres, homens e mulheres e muitos etcs.

Porém, como seria possível englobar uma visão que divida o mundo e que seja capaz de abarcar todas as situações possíveis e imagináveis pelo homem?

Pois bem… dentre as muitas divisões que você pode fazer acerca do mundo, uma delas pode ser um pouco mais interessante: Você pode dividir o mundo entre aqueles que conhecem a verdade e aqueles que não conhecem a verdade, certo?

Em teoria, pode sim. Nesse caso, todas as divisões que foram apresentadas acima, entrariam aqui de alguma forma pois, em qualquer desses pontos, vai existir a Verdade.

Em outras palavras, independente de como você enxerga o mundo e de quais questões você considera mais relevante nessa avaliação, sempre irá existir a verdade sobre elas.

“Mas é fácil descobrir essa verdade?”

Não, não é!

Aliás, metade das pessoas que estão lendo isso devem estar pensando sobre o quão arrogante é dizer que alguém (ou uma instituição) defende “a verdade”, não é mesmo? Afinal de contas, não é isso que cada um dos lados opostos sempre acaba fazendo???

Se você divide o mundo entre direita e esquerda é porque, com quase toda a certeza do mundo, você está em um dos lados e tem toda a certeza do mundo de que o seu lado é que é o verdadeiro. Da mesma forma, se você divide o mundo entre religiosos e não religiosos, você já escolheu um lado e tem certeza que ele está correto.

TODAVIA, está certo fazer isso? Faz algum sentido você achar que está do lado certo (seja lá do que for) quando, muito provavelmente, você não conhece nem 10% do universo de questões que você está debatendo??

É muito fácil você ler a Filosofia de São Tomás de Aquino e pensar: “Minha nossa, que coisa incrível, eu nunca imaginei que o cristianismo tivesse coisas tão lógicas e complexas” (ainda mais se você tem o hábito de ver TV e, vez ou outra, passa por aqueles canais de pastores gritando e fazendo curas coletivas de cancer, em 5 minutos com a mão pro alto).

Da mesma forma, não é incomum alguém pegar um livro do Dawkins (qualquer um) e ficar abismado com a série de questões que ele apresenta, pensando: “Puta merda, só tem religioso nesse mundo porque eles nunca leram esses livros. É incrível como ele ilumina as trevas da ignorância que assola o nosso mundo”.

E, em ambos os casos citados acima, esses acabam sendo os bons exemplos (por incrível que pareça). No geral, as pessoas que defendem qualquer dos posicionamentos acima, formulou suas próprias verdades inquestionáveis lendo umas postagens no facebook e lendo alguns blog por aí (como esse aqui, por exemplo).

Elas não esperam e nem pretendem estudar sequer aquilo que elas defendem ser a verdade (“afinal de contas, se eu já sei que é a verdade, pra que perder meu tempo com isso???”). Triste, mas verdadeiro!

A Verdade Existe?

Sim, a verdade existe. Não existe “a minha verdade e a sua verdade” porque um mundo não pode existir com “cada um tem a sua verdade”.

Se você acha isso, ou você não entende a definição de verdade ou não entende que uma coisa não pode ser duas coisas. Você NUNCA vai encontrar no mundo algo que, verdadeiramente, seja uma coisa e outra ao mesmo tempo.

Daí partimos para a questão: É possível conhecer a verdade???

Essa é a pergunta certa!

Muitas das pessoas que defendem que cada um tem a sua verdade, só estão querendo dizer que cada um tem as suas convicções (e usa, erroneamente, a expressão “verdade” para falar disso). Ou seja, a pessoa está em uma discussão sobre a existência de Alienígenas, ou sobre a existência de Deus, e termina dizendo que cada um tem a sua verdade. Mas, isso é IMPOSSÍVEL!

Ou alienígenas existem ou eles não existem! Ou deus existe ou deus não existe! Nesses casos, não há uma terceira opção. Ou algo existe, ou algo não existe.

Eventualmente, em uma discussão como essa, alguém está certo! Se uma pessoa defende que aliens existem e a outra pessoa defende que não, ALGUMA DELAS ESTARÁ CERTA. Isso é indiscutível, certo?

Entretanto, se o motivo de ambos é estúpido, que diferença faz quem está certo nessa história???

Se você acha que aliens existem porque você acha que é óbvio que eles existem, no fim das contas, não importa se eles existem ou não, nessa discussão. Você só acha porque, simplesmente, você acha. Da mesma forma que, do outro lado, a pessoa também pode achar que aliens não existem porque “é óbvio” que não existem.

[Eu provavelmente já usei esse exemplo do Aliens em algum outro post, porque eu gosto muito dele, mas vou usar de novo – caso eu já tenha utilizado].

Alguém, de fato, está com a “verdade” nessa história, certo? Mas qual a relevância de alguém estar certo nesse caso se o motivo deles é tão justificado quanto jogar uma moeda para o alto para saber qual opinião ter sobre aquilo??

O conhecimento é essencial para se chegar a verdade (em qualquer assunto, em qualquer situação). E, errar – tendo motivos para achar que se está certo – é bem mais proveitoso para a humanidade do que acertar por acaso, quando tudo demonstrava que você não tinha motivos para aquilo.

Qual a Relação com a Ordem?

Mas o que isso tem a ver com a Maçonaria e a Verdade???

Voltando a questão inicial, separar um mundo entre aqueles que conhecem a verdade daqueles que não conhecem a verdade seria algo insano, pois, para quase tudo nesse mundo nós não temos como afirmar que seja aquela a verdade de fato (na melhor das hipóteses, podemos dizer que as evidências que temos nos fazem crer que a verdade está próxima de “a” e “b” e não de “x” e “y”).

Mas e se dividirmos o mundo entre aqueles que buscam a verdade e aqueles que não buscam???

Essa divisão sim tem mais sentido! Ela consegue se inserir em todos as possíveis divisões que alguém possa enxergar o mundo e, sinceramente, é uma visão muito honesta das coisas.

E como a Maçonaria pode incentivar isso da maneira correta e dar espaço para as novas ideias?

Vamos entender, nesse momento, quais eram os princípios mais antigos que nortearam a Maçonaria – e essas ideias podem ser encontradas em:

http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/2010/12/imperfeicao-e-as-old-charges-i.html

http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/2010/12/imperfeicao-e-as-old-charges-ii.html

http://a-partir-pedra.blogspot.com.br/2010/12/imperfeicao-e-as-old-charges-iii.html

[Eu poderia falar sobre essa questão e das “Antigas Regras”, mas esse não é o foco do post e preferi deixar a questão para o grandioso irmão “Rui Bandeira” – autor desses 3 posts que eu linkei. Outra hora falarei sobre isso.]

Devido a essa “base ideológica”, a Maçonaria foi celeiro para uma série de questões (tanto intelectuais quanto sociais).

Apesar de sempre ter existido as “premissas aceitas” (e ainda existirem, em menor quantidade), a Maçonaria garantiu uma forma de manter viva tudo isso até os dias de hoje.

Se você adequa uma filosofia de virtude, somada com a busca pela verdade, você acaba produzindo uma série de questões relevantes eu abrem margem para tudo aquilo que é uma busca sincera e cujo o objetivo é ser aberto a ajudar o próximo, pois, sendo filhos do mesmo Deus, somos todos irmãos.

E, caso você esteja achando que é simples montar uma Ordem que tenha essa ideologia, seria muito bom que você gastasse um tempinho buscando reflexões acerca de princípios que parecem simples mas que, quando estudados um pouco mais a fundo, já demonstram ter uma complexidade que a grande maioria desconsidera.

Além de montar uma “Ordem de Princípios”, também é muito importante (e nada simples) defender e brigar por esses ideais. Ideais esses que são de liberdade, visando tirar as pessoas da escravidão (de outros seres humanos e, até mesmo, de suas próprias mentes).

Se a Maçonaria já influenciou (e influencia) movimentos sociais, intelectuais, políticos, espirituais e etc, é simplesmente porque ela tem um objetivo final e uma série de princípios necessário para que se chegue até isso.

E, por fim, é importante dizer que, mesmo que um Irmão (independente do tempo em que está iniciado) não seja capaz de absorver e compreender toda essa gama de questões em que a Maçonaria está envolvida, certamente ele será capaz de colocar em prática as ações que visam o auxílio ao próximo e a sociedade.

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6 Responses to Maçonaria – Ideologia dos Mistérios (e de todo o resto)

  1. Rafael says:

    Fiquei muito feliz com a volta do site e sempre leio todos os posts, mesmo eu não sendo da maçonaria, mas fiquei com uma dúvida que se possível, gostaria de ser tirada. Na aba Parcerias, dei uma olhada no blog “Arauto do Chaos” que realmente tem uma forma bem diferente da tratada aqui neste site. O foco lá eu diria, é quase 100% no Satanismo Tradicional que sinceramente, após ler a introdução e alguns posts, não me interessou como foi o caso do Satanismo Moderno, questão de gosto pessoal e tipo de vivência, é claro. Mas a pergunta é a seguinte, você pretende apenas continuar a focar na filosofia e tradição do Satanismo Moderno (Lavey) ou em algum momento vai citar o Satanismo Tradicional também?

  2. Cleiton Lopes de Oliveira says:

    Gostei da proposta do blog.
    Ainda li pouco aqui, mas pretendo acompanhar…
    Gostaria de saber se há algum grupo de Whatsapp nessa mesma linha que possa adicionar profanos simpáticos à Ordem?
    Caso positivo… (62) 98525 2206

    Um fraternal abraço..
    P.P

  3. Resultado de imagem para SATANIEL
    SATANIEL
    SATANÁS, O MEU PAI

    Eu sou JOSUÉ DOS SANTOS FERREIRA, Filho do Diabo

    E vou iluminar a sua mente. Te enchendo do meu conhecimento e sabedoria eterna.

    A negativa da oracão do “Credo Católico”.

    “Não creio em Deus Pai
    Não creio em Deus Santo Todo Poderoso, criador do Ceu e da Terra
    Não creio em Deus Filho
    Não creio, não creio, não creio em Jesus Cristo, santo
    Não creio que nasceu de Virgem Maria
    Não creio que padeceu sob Poncio Pilatos
    Não creio que foi cricificado na cruz, morto e sepultado
    Não creio na mansao dos mortos. Nao creio que ressuscitou no terceiro dia
    Não creio que subiu aos Ceus
    Não creio que está sentado a direita de Deus Pai
    Não creio na Santa Igreja
    Não creio, nao creio,nao creio na comunhao dos santos
    Não creio na remissao dos pecados”.
    E não lhe chamo para a morte, mais para a vencer comigo na eternidade, para a vida com o meu Pai, o Diabo, Satanás, Belzebu, Lu’cifer!

    JOSUÉ, O ILUMINADO FILHO DE SATANIEL
    EU SOU O SEU LEGADO

    • Abdu Haqq says:

      Assalamu Waleikum!

      Deus é o Maior! Acredite em Adam, Noah, Avraham, Issa(Jesus), Musa(Moisés) e Muhammad, que a paz esteja com eles! Em seus Livros!
      Por sites e organizações como esta, que crescemos a olhos vistos em solo europeu!

      Salaam!

  4. Abdu Haqq says:

    Assalamu Waleikum!

    Ótimo site! Muitas pessoas inteligentes! Deus é o Maior!

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