Satanismo – A Inquisição Espanhola

O último Post dessa categoria apresentou alguns dados importantes que precisamos considerar quando decidimos julgar a Inquisição.

Novamente, repito que não tenho por objetivo fazer com que as pessoas achem que a Inquisição não foi nada demais.

Se apresento esses dados (como no último post) é para que se possa avaliar a situação sem exageros (que, como o leitor deve ter percebido, eram muitos).

Espero que duas coisas estejam bem claras, a partir daqui: A primeira é que, o número de mortes que ultrapassavam a casa dos milhões eram fantasiosos. Não existem dados que sustentem um número tão alto.

A segunda se trata da compreensão de que existiram outras Inquisições além da promovida pela Igreja Católica (como as que eram feitas pelos Protestantes e pelo Poder Secular). Quando consideramos todas elas, o número é mais expressivo do que quando se considera apenas o que foi feito pela Igreja Católica.

É a partir disso que vamos começar a falar da Inquisição Espanhola. Agora que esses pontos já estão estabelecidos fica bem mais fácil entender que a Inquisição Espanhola, como o resto da Inquisição, não foi bem da forma como se acreditava ter sido.

Para quem não conhece, a “Inquisição Espanhola” foi considerada, por muitos séculos, a Inquisição mais cruel de todo o período da Inquisição. No entanto, tudo o que foi dito acerca da Inquisição é também aplicado a esse caso.

As declarações de que a Inquisição Espanhola deu a Inquisição um outro nível de terror, perversidade e intolerância se tornam um pouco exageradas quando vemos que os maiores fatores que nos faziam crer nisso não eram verdadeiros.

Em virtude disso, somos obrigados a questionar e pontuar cada uma dessas afirmações quando elas são feitas, já que, cada um tem direito a sua opinião e qualquer um pode se manter convicto sobre a Inquisição Espanhola ter sido bem mais cruel que as demais (como muitos outros podem achar que não).

No entanto, é preciso saber se a pessoa que faz essa afirmação tem ideia dos fatos reais que se tem hoje em dia.

Com relação aos dados sobre a Inquisição em geral (que abordamos no último post), eles apareceram em uma data um pouco mais recente, que foi o ano 2000, onde foi realizado um Simpósio Internacional cujo propósito era fazer uma avaliação verdadeiramente histórica sobre os acontecimentos da Inquisição (como já foi dito anteriormente). E, com esses dados em mãos, já era possível verificarmos que o número de mortos na região da Península Ibérica era muito menor do que se contou por muito tempo.

No entanto, os verdadeiros dados da Inquisição Espanhola apareceram antes, no meio da década de 90. Novos dados começaram a surgir e alguns pontos de interrogação foram aparecendo, fazendo com que alguns historiadores precisassem rever diversos pontos que foram tidos como verdadeiros por séculos.

Henry Kamen foi um dos historiadores mais famosos do tema e ele foi um dos primeiros a admitir que os dados precisavam ser revistos à luz dos novos fatos.

Ele, que havia escrito um dos melhores livro sobre o tema (na década de 60), fez uma revisão do seu trabalho, décadas depois, no livro The Spanish Inquisition: A Historical Revision.

Na verdade, os questionamentos acerca da Inquisição Espanhola foram os mesmos que fizeram com que se questionasse também diversos dados da Inquisição em geral. Se as coisas não haviam sido como se acreditava, era preciso que isso viesse à tona.

Para os historiadores, a importância era devido a necessidade de se ter o verdadeiro valor histórico e, para a Igreja, a oportunidade única de diminuir o peso que foi jogado sobre ela acerca dos acontecimentos da Inquisição.

Inclusive, a Igreja colaborou com os documentos necessários para que essa revisão fosse feita com mais precisão.

A Responsabilidade da Igreja

Além de não ter sido tão exagerada como se acreditava, é importante tratarmos do fato de que a verdadeira responsabilidade da Inquisição Espanhola não foi do Vaticano, já que ela não foi promovida, inicialmente, pela Igreja Católica.

Na verdade, curiosamente, a Igreja foi até contra o acontecimento dessa Inquisição – mas, obviamente, isso acabou não fazendo diferença, já que não dava para a Igreja ficar batendo de frente com os reinos.

No ano de 1474, Isabel assumiu o seu trono no reino de Castela, enquanto seu marido, cinco anos depois, assumiu o reinado de Aragão (lembrando que naquela época ainda não existia a Espanha como conhecemos hoje).

Após essa data, ambos os reinos, na prática, se tornaram um único reino unificado.

O motivo que gerou a iniciativa da Inquisição pelos monarcas espanhóis foi a necessidade de tomar de volta os territórios ocupados pelos muçulmanos e pelos judeus, ao longo dos séculos (sendo que o problema era muito maior com os judeus).

Devido a esses fatos, poderíamos até tirar a responsabilidade da Igreja e considerarmos que não foi a intenção dela iniciar essa Inquisição, mas isso dependerá muito de como encaramos essa situação.

Apesar de já ser aceito que a Igreja foi contra, por que então ela acabou assinando a Bula “Exigit Sinceras Devotionis Affectus”, que deu o início oficial a Inquisição Espanhola?

Poderia ser por que a Inquisição precisava (desde que surgiu) ser estabelecida em vários lugares e não fazia sentido que não tivesse na Espanha?

Sim, é claro que poderia ser isso. Mas também poderia ter sido porquê a Igreja não estava satisfeita com o fato da “Espanha” estar fazendo tudo por conta própria.

Falando aos novos Inquisidores instalados em Aragão, o Rei Fernando lhes disse: “Embora vós e os outros desfruteis do título de inquisidor, fomos eu e a rainha que vos nomeamos e sem nosso apoio muito pouco podeis fazer.”

Em 1482, o Papa emitiu uma bula alegando que a Inquisição Espanhola estava torturando e condenando muitos cristãos verdadeiros, pois chegavam ao ponto de se basear apenas em testemunhos de rivais e inimigos dos acusados (o que é claramente um absurdo).

Na mesma Bula, o Papa concluía: “A Inquisição há algum tempo é movida não por zelo pela fé e a salvação das almas, mas pelo desejo de riqueza.”

E isso foi suficiente para revogar os poderes da Inquisição Espanhola, exigindo que os Inquisidores (que respondiam aos Monarcas) passassem a responder aos Bispos, o que não deixou o Rei Felipe feliz – aumentando os atritos entre a Coroa e a Igreja.

Com relação a esses atritos, a partir daí, ainda existe muito material para defender o lado de cada um, principalmente porque, muitas das vezes, não é possível fazer afirmações categóricas acerca de motivações. E, há também quem diga que eles trabalhavam muito bem juntos e que os conflitos eram apenas uma impressão.

Com relação ao famoso Frei Tomás de Torquemada, considerado por muitos como o Inquisidor mais cruel da história, é importante saber que o número de mortes causados por ele é absurdamente menor do que diziam – e isso sem falar que algumas práticas atribuídas a ele não passavam de mitos. No entanto, ele ainda pode ser considerado o Inquisidor mais cruel da história, dependendo do seu ponto vista.

Mas o fato é que, há muito exagero sobre essa época e, além disso, os monarcas da época tiveram uma influência muito maior nessa Inquisição do que a Igreja em si. E não custa lembrar que muitas das “verdades” que acreditávamos (e que não passavam de absurdos) não aconteceram por má fé. Eram apenas os dados que nós tivemos por muito tempo.

Em outras palavras, o caso aqui é o mesmo do Post anterior. Mesmo tendo existido e seus acontecimentos terem sido injustificáveis sob a ótica da filosofia cristã, ela não foi nem metade do que as pessoas acreditam e, aquilo que foi, não teve toda a responsabilidade da Igreja.

No próximo Post da categoria vamos falar um pouco sobre Bruxaria…

 

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9 Responses to Satanismo – A Inquisição Espanhola

  1. Paulo Ricardo says:

    Excelente!!!

  2. Marcos says:

    Apenas gostaria de dizer que acabei de devorar todos os posts do blog, relendo os posts antigos e lendo pela primeira vez o que foi escrito a respeito das perseguições. Parabéns pelo ótimo trabalho! É realmente inspirador ver tanta coisa sendo desmistificada de maneira tão clara e objetiva. Muito obrigado!

  3. Gabriel P. says:

    Olá Admin! Tudo bem?

    Realmente esclarecedor e agora tive uma real noção de uma certa injustiça que é feita com a Igreja Católica. Se a Maçonaria ainda sofre com a ignorância que foi criada seculos atrás, por que a Igreja Católica não poderia também?

    Nós acabamos sendo ensinado por professores de história, que são geralmente comunistas e ateus, que a Igreja Católica é má e tudo o que existe de ruim no mundo é derivado do que ela fez seculos passados. Sim, a Igreja como poder absoluto que tinha cometeu excessos, mas precisamos sempre ser justos e acaba sendo muito fácil e ignorante da nossa parte jogar toda a culpa das mazelas do mundo nas costas da Igreja Católica.

    Novamente, muito esclarecedor!

    Um abraço!

  4. Renan'' says:

    Os posts do blog como sempre são muito esclarecedores!

    Sabe dizer se nos livros escolares de história já atualizaram os dados sobre a Inquisição, após o Simpósio Internacional?

    E além disso, assisti a documentários recentes que ainda tratam esse assunto com todo o exagero que já conhecemos. Os historiadores chegaram mesmo a um consenso??

    Abs”

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      1. Não sei dizer.

      2. Os documentos são bem elucidativos, meu Irmão. Acontece que esse tipo de documentário dificilmente vai deixar de existir. Basta tomar como exemplo os documentários que acusam a maçonaria de inúmeros absurdos.

  5. Artur says:

    Um grande trabalho, meu Irmão. Muita riqueza de dados.

  6. lovefan says:

    NAO IMPORTA SE FORAM MILHOES, MILHARES OU DEZENAS DE MORTOS E TORTURADOS. NAO ADIANTA CADA UM QUERER TIRAR O SEU DA RETA E DIZER QUE O OUTRO TAMBEM FEZ. TANTO CATOLICOS QUANTO PROTESTANTES SAO RESPONSAVEIS POR INUMERAS ATROCIDADES. INCLUSIVE A IMPOSIÇAO DA SUA DOUTRINA. COMO DIZIA A MINHA AVÓ, ”AO ERRADO SÓ CABE PEDIR DESCULPAS. CRISTO NAO FUNDOU NENHUMA INSTITUIÇAO RELIGIOSA. ELE NAO CRIOU A IGREJA CATOLICA APOSTOLICA ROMANA E NEM O PROTESTANTISMO. A IGREJA DE CRISTO DESCRITA NA BÍBLIA NAO TEM NADA EM COMUM COM ESTAS IGREJAS. LÁ A IGREJA NAO SE MISTURA COM ESTADO, POIS CRISTO DISSE A TODOS QUE O SEU REINO NAO ERA DESTE MUNDO.LÁ O EVANGELHO NAO SE MISTURA COM PAGANISMO, COMO OS CATOLICOS DE CONSTANTINO, QUE FIZERAM MUDAR O DIA DE DSCANSO PARA O DOMINGO, EM REFENCIA A APOLO, DEUS PAGAO. E A INTRODUÇAO DOS ÍDOLOS, QUE ELES JURAM DE PÉS JUNTOS QUE NAO LHES PRESTAM CULTO.MAS FAZEM-LHE PRECES,AJOELHAM-SE EM FRENTE DELES,FAZEM-LHES PROMESSAS ETC.LÁ NA BÍBLIA NAO TEM NADA DISSO.

  7. lovefan says:

    E MUITO MENOS AMOR AO DINHEIRO PREGADO POR PASTORES LADROES. NO NOVO TESTAMENTO NAO SE ENCONTRA NENHUMA ORDENANÇA QUANTO AO DÍZIMO.MAS FAZ VARIA REFERENCIAS AS OFERTAS. O DÍZIMO FAZ PARTE DO JUDAÍSMO, MAS NAO DO CRISTIANISMO.EM ATOS 15, DURANTE O CONCÍLIO DE JERUSALEM, FICA CLARO QUE O CRISTAO GENTIO NAO É OBRIGADO A SEGUIR RITOS VELHO TESTAMENTARIOS.

  8. JOSÉ AUGUSTO says:

    TANTOS ENGANOS.
    VOCE É MAÇON O MEU CARO DONO DO BLOG.?
    ENTÃO NÃO PODE DIZER NADA.
    PAREM COM TANTA IDIOTICE.
    AS IGREJAS CRISTÃS SE MANTÉM EM PÉ GRAÇAS À ASSISTÊNCIA DIRETA DE SATANÁS. AGRADEÇAM A ELE.
    POVO SONSO

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