Satanismo – Carlos Magno e a “Unidade” Cristã

Hoje vamos falar de uma parte da história que muitas vezes é deixada de lado: A Idade Média Alta.

Trata-se do Período de 470 até o ano 1000, tendo como marco de início a Queda do Império Romano.

A Idade Média Baixa (que se inicia após o ano 1000 e se estende até a queda de Constantinopla, no ano de 1453) já é bem conhecida por todos – e a maioria consegue ter a sua visão dessa época, quando citada.

O mesmo já não acontece com a Idade Média Alta, que costuma ser deixada de lado como se pouco, ou nada, tivesse acontecido naqueles muitos séculos.

Na melhor das hipóteses, quando se está estudando a estrutura da época, da Igreja e etc, o material em questão “pula” da queda do Império, em 476, até a posse de Carlos Magno, em 800. Se você já pegou pra estudar a história do cristianismo certamente se deparou com isso, na maioria deles.

Os que costumam adentrar nesses quatro séculos são os historiadores mais “profundos”, que vão ao cerne de toda a história da Igreja.

Minha opinião pessoal sobre isso é de que os historiadores cristãos acabam deixando esses séculos de lado porque ele dá margem para que se diga que a Igreja se tornou o que é, não pela sua filosofia ou doutrina, mas sim pelo papel determinante que ela teve nessa época.

Os Séculos Obscuros Para o Ocidente

Mesmo as escolas de hoje em dia começam falando, diretamente, da Idade Média Baixa. Na maioria das vezes, a cabeça do estudante, com relação a essa época é resumida como “é a época em que os Mouros passaram a atacar a Europa”.

Essa foi uma época em que vários povos estavam invadindo a Europa. De cima vinham os Vikings, de baixo vinham os Mouros, da lateral vinham os Magiares e etc. Época difícil.

O império romano caiu e não mais havia um império para “guardar o que era seu”.

Claro que, falando assim, faz parecer que o império romano governava com maestria e justiça em todo o seu território. Não, não era, e várias regiões não estavam nem aí pra isso… Acontece que, ao acabar o Império, quando alguém invadia um povo ocidental, quem é que iria lá dar o troco e mostrar que não ia ficar por isso mesmo?

Além disso, desde 476, todo o ocidente estava sem um sistema econômico e não havia um sistema central para que pudesse tributar nada. Ou seja, em teoria, não tinha porque ninguém defender ninguém. Passava a ser uma terra de cada-um-por-si.

Sem um Império, sem unidade, sem o que defender, sem para o que lutar, era um povo a mercê de qualquer outro povo devastador. E, foi nesse período, que a Igreja teve um de seus papéis mais importantes.

Sem um Império definido, a Igreja passou a ser a “unidade” ocidental onde, através dela, as pessoas se reconheciam entre si. “Onde estão os cristãos estão os meus”.

Não foi Constantino e nem os filósofos cristãos que garantiram que o cristianismo crescesse e prosperasse como nenhum outro – apesar de ser evidente o papel importante que eles tiveram para que o Cristianismo tivesse seu espaço. Esse acontecimento teve mais impacto para o crescimento do Cristianismo do que qualquer outra coisa.

Ou seja, a maior unidade cristã, que era todo o Ocidente conhecido, se deu por uma questão de “identidade” em um momento em que a Igreja começava a parecer o Estado.

Toda essa questão começou com situações menores e que foram estabelecendo um poder da Igreja diante daqueles que agora estavam sem um Império para cuidar de todos. De certa forma, a Igreja era a única instituição que havia absorvido o processo administrativo romano e que, além de tudo, tinha um “corpo” que era capaz de ajudar.

Um dos primeiros atos que começou a estabelecer a Igreja dessa forma foi que, em muitos casos de invasão, os bispos começaram a estabelecer uma “resistência civilizadora” que, na maioria das vezes, acabava se tratando de uma negociação com os povos invasores.

No entanto, e apesar de ser um época considerada sem Império, é importante explicar aqui que, em teoria, O Imperador de Bizâncio era o atual responsável pelo Ocidente (apesar disso não acontecer na prática).

Foi após o estabelecimento cristão, tendo o terreno preparado, é que surgiu o famoso Imperador Carlos Magno.

O Imperador Carlos Magno

Imperador Carlos Magno

A decisão de que Carlos Magno seria o novo imperador foi tomada no Concílio de Latrão.

O concílio de Latrão basicamente decidiu por duas coisas. A primeira questão indagava se o Ocidente deveria continuar a reconhecer o Imperador de Bizancio como o Imperador Ocidental.

Essa discussão acontecia porque (como já foi dito) esse imperador não havia governado, na prática. Não bastava ter um título e deixar que as coisas acontecessem naturalmente.

Outro ponto é que ele não era reconhecido, por todos, como o Imperador de verdade e, naquele momento, onde o Ocidente estava com seus exércitos fortalecidos, nenhum deles responderia a bizancio, caso algo acontecesse.

Quem verdadeiramente era reconhecido no ocidente era Carlos (e seu exército franco).  Ele sim poderia comandar o ocidente. Portanto, na decisão de que não caberia mais qualquer relação com o Imperador do Oriente, ficou decidido que Carlos se tornaria, de fato, o verdadeiro Imperador. Papel esse que, de certa forma, ele já exercia.

O segundo ponto do Concílio se deu para decidir se o atual Papa, Leão III, deveria continuar no trono papal. Pode parecer estranho, mas sim, era o Concílio que decidiria isso.

O papa Leão III estava quase sendo morto por seus inimigos. Ele era acusado de vários crimes e por praticar vários vícios (que um homem, na condição de Papa, não poderia).

Obviamente era uma decisão delicada a ser tomada, afinal, imaginem se todo o Papa que comete desvios fosse “exonerado” de seu cargo. O catolicismo não teria ido muito longe.

O Concílio contava com os generais e os eclesiásticos Francos, Lombardos e Romanos, afinal, era na mão deles que estava o Ocidente. Portanto, nada mais justo que essa decisão partisse deles.

No mais, o Papa acabou ficando em seu trono – depois de humilhar-se aos pés de Carlos Magno fazendo juras de sua inocência.

No entanto, o Papa foi esperto e aproveitou que Carlos acabara de ser escolhido como Imperador para reviver a cerimônia eclesiástica de Posse do novo Imperador e, dois dias depois do Concílio, houve a cerimônia de coroamento do Imperador, pelas mãos do Papa.

Carlos achou estranho, pois não fazia ideia do que se tratava – principalmente vindo de onde ele vinha. Mas, como o Papa havia insistido, e era um cerimonial já antigo, Carlos aceitou.

No processo da cerimônia de posse, o Papa foi quem lhe coroou e abençoou-o, frente aos milhares de romanos que acompanhavam e aclamavam o acontecido na Basílica de São Pedro. Aparentemente, demonstrava a aprovação do Papa frente aquele que estava sendo empossado como novo Imperador.

Todavia, Carlos não entendeu bem o que estava acontecendo, afinal, desde quando um Imperador precisava ter a aprovação do Papa e da Igreja? Foi ele quem conquistou aquela coroa e foi sua luta e seu trabalho que o fizeram ser reconhecido por todos no Ocidente.

Carlos achou tudo isso um absurdo e chegou a dizer depois que, se soubesse que a cerimônia seria assim, ele não teria participado dela. Depois de tudo que havia acontecido, internamente, no Concílio de Latrão, era realmente muito cinismo do Papa fazer com que as coisas fossem (ou parecessem ser) dessa maneira. Inclusive, a nível de curiosidade, quando o filho de Carlos se tornou Imperador, ele (Carlos) fez questão de ser a pessoa que iria coroá-lo.

Mas, gostando ou não, o Papa coroou e abençoou o novo Imperador, Carlos Magno, e assim a igreja dava um passo importantíssimo naquela que seria, futuramente, a aliança entre Estado e Igreja – na Idade Média Baixa.

Após o que a Igreja havia feito pelo Ocidente nesses 4 séculos anteriores, não haveria como ignorar a importância da Igreja nesse novo Império que surgia.

Acabamos por aqui essa introdução ao primeiro milênio da Igreja e, nos próximos Posts, vamos tratar diretamente da Inquisição e da Relação entre a Igreja e a Maçonaria.

 

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20 Responses to Satanismo – Carlos Magno e a “Unidade” Cristã

  1. Gabriel P. says:

    Salve Admin!!

    Achei que não teríamos mais posts… rs

    Realmente existe uma negligencia com esse período, e tudo fica meio obscuro do que ocorreu. Nos livros de historia, eles se resumem ao surgimento do feudalismo e ai fica aquele lenga-lenga sobre as relações internas dos servos/igreja/rei, mas ninguém explica direito como a ICAR sai com um poder tão grande, mesmo após a queda de Roma.

    Interessante saber que na realidade esse poder todo não passa de uma sensação, que na realidade não era tudo isso. Só passou a vir depois.

    Abraços!

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Caro Gabriel,

      Também é importante colocar que esse “feudalismo” que estudamos nas escolas tem uma visão completamente francesa. A História se desenrolou de várias formas na Idade Média Baixa.

  2. Paulo Ricardo says:

    Caro amigo,

    Você já ouviu a história sobre a sociedade secreta de Carlos Magno?

    • Gabriel P. says:

      Eu já vi uma historia relacionando ele com reptiliano e etc., mas nem me aprofundei pois acho isso muita fantasia…

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Caríssimo Paulo,

      Sim, se trata da Sociedade dos Franco-Juízes. É interessante mas, infelizmente, tem mais lendas do que história, com relação a isso.

  3. João Felipe Azeredo says:

    Essa período de invasões na Europa é realmente fascinante, e creio que um dos motivos é o fato de falarmos pouco sobre isso, como você bem colocou no texto. Sua explanação também deve ter ajudado muita gente a entender que o Papa e a Igreja demoraram um bom tempo até ser a grande dominadora da civilização.

  4. Rev.Breno says:

    Um dos motivos que é pouco estudado é muito por falta de dados, pois os bárbaros fizeram questão de impor seus costumes em muitos dos seus tráfegos. Quase a civilização some de uma vez, tirando o Reino Irlandês, a Bretanha, a Dalmácia e o Carlos não sobrou muita coisa mesmo, infelizmente a Igreja que é parte importante de segurar a civilização também foi o veio de brinde para nós. Demorou muito tempo até voltar a ter o mínimo de civilidade
    Essas horas que eu vejo que não só a Alta Idade Média como o Reino de Andaluzia é mal estudado…

    Sobre Bizancio: É por isso que se me perguntam quando acabou o Império Romano eu digo 29 de outubro de 1923

  5. julia maria says:

    Adorei, esse assunto caiu na minha prova caiu isso tudo e para falar a verdade eu nem acredito que aconteceu isso só estudo porque eu devo estudar porque se não eu não estudaria. Gabriel e o Paulo estão certos!

  6. julia maria says:

    “A decisão de que Carlos Magno seria o novo imperador foi tomada no Concílio de Latrão.

    O concílio de Latrão basicamente decidiu por duas coisas. A primeira questão indagava se o Ocidente deveria continuar a reconhecer o Imperador de Bizancio como o Imperador Ocidental.

    Essa discussão acontecia porque (como já foi dito) esse imperador não havia governado, na prática. Não bastava ter um título e deixar que as coisas acontecessem naturalmente.

    Outro ponto é que ele não era reconhecido, por todos, como o Imperador de verdade e, naquele momento, onde o Ocidente estava com seus exércitos fortalecidos, nenhum deles responderia a bizancio, caso algo acontecesse.”

    Justamente isso eu adorei !

  7. Com o decorrer dos séculos, criaram-se grandes diferenças entre a Igreja bizantina e a Igreja romana, culminando, no ano de 1054, no primeiro Cisma do Oriente. As principais consequências desse cisma ocorreram por divergências políticas entre os romanos e bizantinos. O papa (bispo de Roma) resistiu às insistentes tentativas de domínio do imperador bizantino, ao mesmo tempo em que os bizantinos não aceitavam e não acreditavam na figura do papa como chefe de todos os cristãos. Eles divergiam também em relação ao culto a imagens, às cerimônias, aos dias santificados e quanto aos direitos do clero.

  8. Lavern Mclaughlin says:

    O seu êxito no poder e nas conquistas deu-se por sua aliança com a Igreja Católica. Por ter ajudado a igreja na luta contra os lombardos, em 800 recebeu o título de imperador dos romanos(caráter meramente de honra).

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Caríssimo,

      Leia novamente o post no ponto que trata do Concílio de Latrão e sobre a decisão do Imperador de Bizancio continuar ou não como o Imperador Ocidental. Acreditar que o título de Carlos tinha um “caráter meramente de honra” é uma forma muito simplória de enxergar as coisas.

  9. mistura tudo isto com star wars….

  10. todas estas coisas, tem um siginificado mais profundo,….., é universal,….., tudo isto tem haver com a guerra entre ti e a mulher,…citado na biblia…

  11. No fim do século IX um novo povo atacou as fronteiras orientais da Europa: os húngaros, ou magiares. Ocuparam rapidamente a região do Danúbio, de onde partiram para incursões pela Itália, França e Alemanha. A desintegração do império carolíngio e essa segunda onda de invasões deixaram o oeste europeu numa situação de grave deterioração política e econômica até que, no século X, o estabelecimento do Sacro Império Romano-Germânico restabeleceu a ordem na Europa central. Oto I o Grande, coroado imperador no ano 962, encontrou forte apoio no papado e contribuiu, como antes fizera Carlos Magno, para o fortalecimento da igreja como poder temporal. Sua vitória sobre eslavos e magiares transformou-o num novo defensor da cristandade ocidental.

  12. O HERMETISTA says:

    muito esclarecedor este post

  13. BOLODÓROS says:

    A muito não me lembrava do momento em que estado e igreja se tornaram tão fortes juntas. Cumpri-se então depois de quanto tempo a frase oculta à Constantino. ” Por esta vencerás”.

    Acredito piamente em algo. Ou nossos construtores terão que nos destruir ou terão que encontrar outra forma de nos dominar e imbecilizar. Não sei se posso chamar de construtores ou conspiradores. Se é um mal necessário. Se diante do karma isso tudo foi necessário, mas minha ignorância não permite mais ser tão ultrajada como deveria. Se metade dos humanos deste planeta pensassem como eu, toda mamata iria acabar. Imagine um mundo onde todos são cientistas, onde toda comida é farta e abundante, onde não nos preocupamos em ter que sobrevivier, onde temos todo necessário como algo simples, ninguém se preocupa com o que comer amanhã, com o que vestir, onde a agua limpa tudo que devemos limpar sem toxinas. Onde não comemos mais carne. Onde todos os seres vivos vivem ajudados por nós humanos. Onde não temos preocupações com guerras, e não obedecemos ordens mediocres e idiotas, Onde o presidente diria por exemplo eu quero isso e nós diriamos vai vc.
    ]
    OS COMANDANTES DESTE MUNDO SÃO POUCOS. NÓS SOMOS MUITOS,

    OU TERÃO QUE NOS DESTRUIR, OU INVENTAR OUTRA FORMA DE NOS APRISIONAR.

    ESTAMOS EVOLUINDO, E POR MIM O PLANETINHA FICA DE ESMOLA.

    NÃO FAÇO QUESTÃO DELE.

    TENHO MUITOS IRMÃOS E IRMÃS ESPALHADOS PELO COSMOS.

    A HUMANIDADE DESPERTARÁ, E ISSO É INEVITÁVEL.

    EU NÃO VOU MOVER UMA PALHA NESSA GUERRA, TODO MEU CONHECIMENTO VAI MORRER COMIGO. MAS UM DIA VOU VER O MILAGRE DE NOSSA LIBERTAÇÃO.

  14. BOLODÓROS says:

    FIM DAS TRANSMISSÕES.

  15. cicero says:

    Foi muito gratificante.

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