Satanismo e a Filosofia de Nietzsche

Esse Post dará segmento ao entendimento da filosofia e da ideologia que é base do Satanismo.

Hoje falaremos de um dos Filósofos mais admirados (e citados) por aqueles que são “questionadores”: Friedrich Nietzsche.

No último Post falamos sobre a importância do Existencialismo, dentro do Satanismo de LaVey.

Importância essa que pode ser resumida como “a ideologia que permite ao homem a maior valorização da própria vida”.

Já a Filosofia de Nietzsche – a parte que importa ao Satanismo, é claro – se trata da crítica que ele faz a Igreja (que pode ser estendida as religiões, em sua parte conceitual) por impedir o homem de viver a sua vida como deveria, segundo a sua própria natureza, e os sacrifícios que ela “obriga” o homem a fazer.

Tudo isso nos ajuda a entender o Satanismo, no sentido que, após a compreensão da importância da valorização da vida do homem (pelo Existencialismo) é preciso entender a influência de uma ferramenta que foi usada como uma das maiores “barreiras” para impedir que o homem pensasse por si próprio: A Religião.

Gostaria de frisar aqui, antes de prosseguir,  que o Satanismo de LaVey em si não apresenta uma ordem sequencial da Filosofia que nele está inserido.

Essa sequência, que estou apresentando aqui, é apenas a minha visão particular de qual ideologia precisa ser apresentada antes e depois, para a melhor compreensão do Satanismo. Não sei se LaVey usaria a mesma sequência – mas a verdade é que, isso não muda praticamente nada.

Qual o Sentido da Vida?

Antes de iniciar a crítica do seu pensamento filosófico, Nietzsche começa uma de suas obras mais famosas fazendo uma crítica acerca do que ele considera como sendo o maior preconceito dentre os filósofos. Se trata do “preconceito” de que a Vida precisa ter algum sentido.

Veja bem, eu não estou dizendo que a Vida não tem nenhum sentido, mas temos que admitir que, para uma análise verdadeira do universo é preciso admitir que tudo isso pode ter surgido aleatoriamente, afinal, realmente não existe qualquer comprovação de que tudo isso tenha qualquer propósito.

Portanto, Nietzsche acusa todos os filósofos de não conseguirem atingir a verdade por iniciarem suas reflexões já partindo desse pressuposto.

A Liberdade e a Virtude

Uma das maiores contribuições que LaVey retira da obra de Nietzsche, para o Satanismo,  é a apresentação da ideia de que a conduta e a moral Cristã impedem o homem de ser ele mesmo e de viver sua vida como deveria.

Tanto na obra “Além do Bem e do Mal”, como na obra “O Anticristo”, podemos ver o quanto ele ressalta a ideia de que o homem não terá uma existência plena enquanto estiver preso a dogmas que não aqueles justificados pela razão e pela natureza das coisas.

Para ele, a Liberdade é a única ferramenta que pode permitir isso e, quando algo fere a Liberdade do Homem, está ferindo o próprio Homem. Além disso, mesmo quando a Igreja impede o homem de questionar os Dogmas, está impedindo-o de conhecer a Deus verdadeiramente – partindo do pressuposto, é claro, da existência do mesmo.

Ao falar das virtudes ele sugere que todo homem já tem suas inclinações e sua predisposição para elas, mas afirma também que “as virtudes que temos são aquelas que podem entrar em melhor acordo com as nossas inclinações mais secretas e com as nossas mais urgentes necessidades”.

Sugere também que é preciso avaliar a inclinação do homem para depois avaliar a virtude, dentro desse contexto.

Por exemplo (nas própria palavras de Nietzsche),“(…)num indivíduo nascido para comandar, a abnegação e a modéstia não seriam virtudes, mas o esbanjamento de uma virtude”.

A Crueldade Religiosa

A grande questão aqui é como Nietzsche encarava toda essa questão. Ele apresentava a religião e seus “sacerdotes” como sendo aqueles que “exigiam” os grandes sacrifícios que o homem tem de fazer em sua vida.

Primeiramente, o homem sacrificava o próximo em nome de Deus. Se referindo aqui a movimentos como a Inquisição, onde seres humanos foram mortos “em nome de Deus”.

Em segundo, o homem era obrigado a sacrificar os próprios instintos e a renegar sua própria natureza – e creio que aqui podemos dispensar os exemplos.

Por fim (nas palavras de Nietzsche):

“Finalmente o que restava a sacrificar? Não se chegaria ao ponto de sacrificar tudo aquilo que havia de confortante, de sagrado, de sadio, a ponto de sacrificar a esperança, a fé numa secreta harmonia, na beatitude e na justiça eterna? Não se devia sacrificar ainda a Deus e por crueldade contra si mesmo adorar a pedra, a estupidez, a força da gravidade, o destino, o nada?”

Porque Tudo Isso é Importante?

Sendo o Satanismo a personificação da personalidade de Satan – o opositor e adversário – não é difícil entender porque LaVey utiliza dessa ideologia como parte de sua Doutrina.

Aproveitando que falei disso, é importante dizer aqui algo que, apesar de ninguém ter comentado ainda, é crucial no entendimento do Satanismo.

Quando falávamos da história do Satanismo, no Post “Satanismo no Renascimento”, ficou claro que o Satanismo (o verdadeiro) estava surgindo naquele período, certo?

Mas, logo depois, eu passei direto para LaVey.

Nesse “meio” ficou um espaço vazio, entretanto, é preciso falar dele (mesmo que rapidamente) porque sei que para muitos o Satanismo de LaVey surgiu TOTALMENTE de LaVey – e isso não é verdade.

Pode-se até dizer que o Satanismo de LaVey é 95% de LaVey, mas não por completo. E isso acontece porque o que ele fez foi desenvolver uma ideia (que surgiu no período do Renascimento e que passou por uma ou outra etapa) até chegar nele.

Ele foi o que melhor fez isso – porém, não foi o único.

É preciso apenas um Post para explicar isso, mas não o fiz, naquele época, porque o Post que dá essa explicação será para iniciar uma outra série de Posts, cujo objetivo é falar dos outros segmentos de Satanismo (que fugiram da premissa básica, mas que, nem por isso, deixaram de ficar conhecidos).

Enfim, aproveitei essa oportunidade porque alguns já tem questionado se vão haver Posts sobre esses outros “segmentos”. Sim, terão, mas é preciso dar tempo ao tempo. Com um Post por semana é difícil falar de tudo.

No mais, agradeço a um amigo em especial – que pediu para não ser identificado – e que compartilhou nossa FanPage no Facebook e acabou trazendo (como vocês podem ver, pelos “likes”) centenas de novos Maçons para o Blog.

 

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24 Responses to Satanismo e a Filosofia de Nietzsche

  1. Victor Mantovani says:

    Parabens pelos posts admin !

    Vc teria tempo para fazer mais de um post por semana? E quais os proximos aspectos da maçonaria que vc vai abordar?

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Meu caro,

      A grande questão aqui é que, se eu começar a escrever mais de um Post por semana, o Blog vai acabar em um ano. E depois não vai ter mais “Maçonaria e Satanismo”.

      Os 3 próximos Posts (sobre maçonaria) serão para explicar as vertentes da atuação maçonica.

  2. Jorge Noel says:

    Quanto tempo, Admin! rsrs

    Não via a hora de chegar mais um post seu. Muito bom a explanação sobre um dos Mestres da Suspeita: Friedrich Nietzsche, e a aplicação dos conceitos desse conturbado filósofo à uma das vertentes da Filosofia no satanismo. Agora uma sugestão que gostaria de dar é de quanto às citações que você colocou do filósofo, de mostrar quais as fontes e os aforismas que você extraiu para colocar aqui no Blog, para futuras pesquisas à parte daqueles que acompanham assiduamente o seu Blog. Falo isso porque sou formado em Filosofia e seria interessante para mim e, talvez, para os outros que buscam na Filosofia uma sistematização para suas próprias filosofias de vida.

    Ademais, seu texto está excelente.

    Abraços.

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Boa Noite, meu caro..

      De fato, as citações são sempre importantes.

      As bases que LaVey extrai de Nietzsche estão nas Obras “Além do Bem e do Mal” e “O Anticristo”. Na verdade, não há citações em específico, utilizadas pelo Satanismo. As que utilizei foram porque achei pertinente para a compreensão do todo (e todas estão inseridas em uma das duas Obras).

      A questão aqui são os pensamentos de LaVey que se baseiam em Nietzsche. Esses sim seriam interessante de se pontuar (e até relacionar), num futuro.

      No mais, parabéns por essa Graduação. Sempre tive vontade de fazer Filosofia (e cheguei até a cursar as disciplinas “Teoria do Conhecimento I e II”, dos quais consegui puxar como matéria eletiva, em minha época de Graduação).

      • Jorge Noel says:

        Pois é, meu caro.

        Você nem vai acreditar em quais circunstâncias obtive essa graduação. Foi na minha época de seminarista e candidato ao sacerdócio, porque o candidato ao ministério sacerdotal tem que passar por duas graduações: Filosofia e Teologia. Mas o bom Deus, ao longo de minha vida, me encaminhou para outras formas de como se deve viver a vida.

  3. Davi says:

    O livro Codex Gigas, teve alguma influência para o satanismo ou não tem nada a ver?

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Teve sim.

      Na ideia inicial do Satanismo (aquele na Idade Média) que eu apresentei nos primeiros Posts.

  4. Leonardo R. A. says:

    Muito bom meu amigo, como sempre.

    Já pensou em dar palestras? Cursos ou video-palestras(Anônimas) sobre alguns dos assuntos do seu blog? De forma mais aprofundada e abrangente?

    Aposto que muitos dos seus leitores se inscreveriam, talvez uma área em seu blog apenas para membros. Com aulas e um curso com a didática quem você tem nos mostrado.

    Penso em algo como um grupo de estudos online ou coisa do gênero.

    Eu como sou leigo e tenho como você pouco tempo me interessaria com certeza, pois não teria tempo para frequentar um curso presencial.

    De resto como já disseram reafirmo, seu texto está ótimo, como sempre…

    Grande abraço meu amigo.

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Caríssimo,

      Não sei se isso funcionaria. Os moldes de Cursos do Del Debbio, por exemplo, funcionam porque são muito “práticos”. O participante vai lá, entende como funciona o Tarot (por exemplo) e já pode sentar para jogar (mesmo que demore muito tempo para conseguir o domínio).

      Ficaria difícil fazer algo desse gênero, acredito eu, dentro de “Maçonaria e Satanismo”.

  5. Joan says:

    Acho muito irônico ele ter morrido de sífilis e esquizofrênico, que me leva a vê-lo como um bom teórico e pouco prático, mas ele tá na minha lista de livros a ler pra ter uma idéia concreta dele. Ótimo blog, adoro a sequência histórica que você constrói, é como ler um livro.
    PS: “Este” se usa pra introduzir uma idéia que está por se apresentar, “esse” é pra retomar uma idéia já apresentada, seria o primeiro caso no começo do post, desculpe ser chato, mas você poderia vender como livro isso, você escreve muito bem.

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Você tem razão. Farei a troca para “esse”.

      Agradeço o elogio (e até incentivo). A Ediouro faz livros de Blogs – mas ainda não pensei em nada assim.

      A sequência que eu construo é porque sou um pouco metódico mesmo. Mas, faço o possível para que essa sequência possa ajudar o leitor a se organizar, mentalmente, quando for pensar nesse assunto.

      • João Felipe says:

        Não sei pelo resto do pessoal, mas da mesma forma que eu fiz o curso de cabala do Marcelo, eu faria um de ‘Maçonaria e Satanismo’ que falasse da relação entre eles. É um conhecimento muito válido.

  6. Luiz Carlos says:

    Bem que poderia ter posts sobre a influencia da Filosofia na Maçonaria. Imagino que muitos dos preceitos tenham fundamentos filosóficos. Ou estou errado?

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Está corretíssimo, entretanto, ainda temos muito o que falar sobre Maçonaria até chegarmos nesse “universo”.

  7. CAIBALLION says:

    A despeito da visão cética e da crítica à moral vigente ou da ditada pelos influxos do cristianismo, Nietzsche aponta para um projeto moral. Claro que resguardando uma revolução de valores, mas ainda assim uma moral. O satanismo compartilha deste projeto moral? Ou que tipo de super-homem espera o sataismo?

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Em teoria pode-se dizer que sim, mas há um diferencial substancial nessa questão, que é a forma como o Satanismo reage as adversidades.

      Alguns consideram muito agressivo, outros consideram muito exagerado, mas a grande maioria dos Satanistas entendem como sendo “o justo”.

  8. raph says:

    Uma das análises superficiais da filosofia de Nietzsche mais comuns, feitas sobretudo por quem quase não leu nada sobre ele, é crer que sua afirmação de que “Deus está morto” tinha a pretensão de ser uma afirmação literal.

    Na verdade, o que Nietzsche concluiu foi que as concepções tradicionais de Deus, particularmente as do Antigo Testamento, já vinham caindo por terra desde o Iluminismo, no mínimo (*), e ele estava exatamente preocupado em constriur uma nova base moral, quem sabe humanista e secular, para uma pós-modernidade descrente.

    Como vimos, entretanto, a pós-modernidade não teve a abrangência que os teóricos esperavam, e logo logo veio a Nova Era e uma míriade de incontáveis doutrinas espiritualistas surgindo “quase ao mesmo tempo”. O AT se foi, mas algum Deus renasceu das cinzas…


    (*) Eu particularmente acredito que quem sepultou filosoficamente o deus do AT (em sua época) foi Espinosa em sua Ética – na medida em que trouxe de volta uma concepção bastante antiga, e bastante válida, para a questão do “porque existe algo, e não nada”.

  9. Dinho says:

    Nietzsche é um terreno muito “perigoso” para servir de contribuição a uma seita ou qualquer outro movimento ideológico. Até os nazistas tiraram proveito do seu Super-homem lembram? Talvez uma livre interpretação de suas obras seja muito mais perigosa do que a livre interpretação da própria Bilbla que serviu de base para extermínio de milhões de pessoas e hoje serve de base para picaretas ganharem dinheiro. É preciso cautela, muita cautela…

    “Este livro pertence aos homens mais raros. Talvez nenhum deles sequer esteja vivo.”
    O Anticristo

  10. josias Zanco says:

    Eu considerava a maçonaria um projeto para o ser humano, Agora acho que Ela o descreve em seus mínimos e infinitos detalhes. Vejo o ser humano como a mais linda e completa dualidade, completado com o pouco que sei e por minhas “deduções teóricas” que o “Satanismo” é parte vital e inseparável à nossa existência

  11. SERGIO.M says:

    Oportuno ligar Nietzsche ao Satanismo já que o cerne das idéias do autor é a própria alma do satanismo, mas como os elogios ao site são demasiados, vou logo a uma crítica construtiva…
    Se houver espaço e oportunidade, faça a mesma ligação com a obra de Nietzsche : “Assim Falou Zaratustra” pois este não só retrata o satanismo em si, como a própria ânsia do ser humano e se auto superar através do seu : “super homen” .

    ainda podemos ligar a figura do super homen a necessidade da lapidação do ser humano atravéis dos portais espirituais que conduzem a perfeição espirirual.

    abs.

    • Maçonaria e Satanismo (admin) says:

      Com toda a certeza, meu caro,

      Essas duas obras foram citadas porque é delas que LaVey extrai algumas coisas para colocar no Satanismo Moderno.

  12. PIETRO says:

    DOCUMENTARIO: A CONSPIRAÇÃO NAZISTA.
    “Sigam Hitler! Ele dançará, mas fui eu que iniciei a música! Eu o iniciei na ‘Doutrina Secreta’, abri seus centros de visão e lhe dei os meios para se comunicar com os Poderes. HITLER FOI INICIADO NAS MUSICA DE WAGNER VALQUIRIA E OUTRAS.TODO OS DISCURSOS SÃO CANÇOES DE WAGNER.TAMBÉM FRIEDRICH NIETZSCHE PROFETISA: E AQUELES QUE FORAM VISTOS DANÇANDO FORAM JULGADOS INSANOS POR AQUELES QUE NÃO PODIAM OUVIR A MUSICA.MADONNA ESTA INSERIDA NA MESMA DOUTRINA.

  13. BOLODÓROS says:

    Li um livro desse cara que afirma que o macarrão tem origem italiana. Esse burro não sabe que foi na china mano? Brincadeira, respeito aos mortos, pois nada sabem. Ofendi alguém?

    Me parece que ele era um frustrado. Revoltado. Inconsolado. Acho que se ele tivesse acesso as informações que temos hoje culparia não a um Deus que não pode compreender. Ele queria ver deus acabar com todos os problemas da terra. Sinto muito, aqui é uma selva. Provavelmente ele não percebeu com a ciência da época que poderia colonizar outros planetas, criar cidades espaciais com tudo do bom e do melhor.

    Para nós a ciência tem se mostrado como o caminho para compreender Deus. Um grande cientista. Que não tem tempo para ensinar principiantes.

    Se eu fui criado por um reptiliano? Quem criou o reptiliano? e quem criou o cara que criou o reptiliano? Ai começamos a ser apresentados para entidades infinitamente. É a lógica, 1 2 3 4 5 6…….x Se pensar assim, nunca saberemos quem é Deus. Como a maior parte dos ETES. SABEMOS APENAS QUE ELE EXISTE.

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